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BLOG DO MENEZES
 


JUST A FEST 6

 

Acabou ? Foi um rio que passou em nossas vidas, para usar a imagem do mestre Paulinho da Viola, só que mais caudaloso e com várias margens – além da terceira do Rosa. A única coisa dentro das minhas referências em que encontro algo parecido com o Radiohead é João Guimarães Rosa de Magma (com desenhos de Poty) ou Sagarana (em forma de lenda) – e às vezes, lá longe, o velho e bom Frank Zappa, os arautos do prog e do krautrock alemães como o Kraftwerk, a no wave novaiorquina e o que mais ? Não sei.

 

O Radiohead, pelo que mostrou hoje à noite em São Paulo, continua sendo uma banda que não se encaixa em tags, caixas ou quadrados. O Radiohead, mesmo com 20 anos de estrada, continua a ser a esfinge do rock. E é bom não decifrá-la – ou então estaremos sujeitos à mesmice e ao mais do mesmo com os vícios da crítica e da cultura; não por culpa do Radiohead, que superou essa discussão há pelos menos 10 anos. Vamos dormir com a experiência do novo. O futuro é amanhã, depois do Radiohead.

 

Águas de Serra

 

Águas que correm,

claras,

do escuro e dos morros,

cantando nas pedras a canção do mais adiante,

vivendo no lodo a verdade do sempre-descendo...

Águas soltas entre os dedos da montanha,

noite e dia,

na fluência eterna do ímpeto da vida...

 

(Águas da Serra – João Guimarães Rosa – Magma)

 

O ímpeto da vida, vamos ficar por aqui. É um bom começo depois de João, Paulinho da Viola, Frank Zappa, Los Hermanos, Kraftwerk e Radiohead. É a certeza de que estamos vivos, capazes de pensar no mais adiante do poeta e do sambista, da arte e na música do americano, dos cariocas, dos alemães e dos ingleses. No fundo, estamos todos (ou quase todos – os idiotas ainda não acordaram) na luta contra as regras, o certo e o errado, o já feito que não deu certo.

 

O Radiohead, como seus antecessores, mostrou que tudo pode ser feito de novo, na música e na vida. Quem se habilita ? Estou dentro.



Escrito por sergio menezes às 01h05
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JUST A FEST 5

 

As imagens e o som são alucinantes. O público está congelado durante as apresentações e só aplaude. Eu faria o mesmo. O que é que eles emendaram agora ? Não consigo mais ler os créditos. Já vi muita coisa, mas agora, quase velho, me curvo ao novo sem relutância e conclamo: vamos lá, rapaziada, quem é que vai fazer um som assim ?  



Escrito por sergio menezes às 23h57
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JUST A FEST 4

 

Ok, vamos esquecer OK COMPUTER, o disco, o marco, o melhor, a lenda. O Radiohead já fez coisas muito melhores depois dele. Diante de um show como esse, é hora de rever. Já disse e repito: In Rainbows é melhor do que Ok, computer. E o Radiohead parece estar acima de seus discos. É isso o que os caras fizeram desde 88 ? Claro que não, mas veja quanto tempo demoramos a ver rock, arte, vanguarda, experiência e informação em um mesmo show. Não é coisa para principiantes. Duvido até que o grande público esteja entendendo o que está acontecendo, pelo menos até eles tocarem Paranoid Android ou Fake Plastic Trees.

 

É impressionante. Rock como nunca se viu no Brasil. Rock ? Arte ? Nada disso. Uma experiência não se conclui assim tão fácil.



Escrito por sergio menezes às 23h49
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Radiohead. Da esquerda para direita: Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O'Brien e Phil Selway.



Escrito por sergio menezes às 23h33
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JUST A FEST 2

 

A melhor faixa de In Rainbows: Arpeggi – ainda melhor ao vivo. É o Radiohead por inteiro em tudo o que já fizeram. E como toca e viaja a banda. A galera vai ao delírio e pede alguma coisa. Inútil. Sob uma cortina de luzes e efeitos verdes, o Radiohead parece querer esgotar In Rainbows, disco ofertado de graça (ou quase) na internet. Thom Yorke é realmente um cara carismático. O som da banda não se compara a nada do que eu conheço.



Escrito por sergio menezes às 23h25
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JUST A FEST 1

São Paulo – Chácara do Jóquei – 22/03/09

 

Estou no Multishow e sei que o show não é, exatamente, ao vivo. By the way, já passaram por lá o Los Hermanos e o Kraftwerk.

 

LOS HERMANOS – A volta

 

Quase dois anos. Bom show. Ao vivo, os cariocas são muito melhores do que em disco, bem menos chatos, melhor dizendo, até dá para engolir – principalmente pelos metais e a quase pose de Rodrigo Amarante como guitar hero. Funcionou bem.

 

KRAFTWERK – O de sempre

 

Hoje, um show do Kraftwerk é quase anacrônico. Depois de 30 anos de electronica em doses crescentes e maciças no desenvolvimento do rock e suas variantes, os caras soam como se estivéssemos vendo um show de Bill Halley. Não é bem assim, basta dizer que ao longo de sua apresentação o Kraftwerk nos lembrou que boa parte do progressivo dos 70, tudo do pop de sintetizadores dos anos 80 (de volta nos 00), a disco, a dance music, a house, o techno, o ambient, o indie experimental dos 90 e muito mais passou por eles.

 

O Radiohead já está tocando – e o começo é arrasador. Os caras são a orquestra do fim do mundo – ou de um mundo novo ? O show de luzes e efeitos é ainda mais impressionante do que o Kraftwerk. O Radiohead, ao contrário dos alemães, veio depois da explosão do clip e do Pink Floyd. Para eles, o que conta é a experiência – e o destino, o sentimento, como disse Thom Yorke antes do show.

 

Não há desperdício nessa primeira passagem do Radiohead no Brasil, em todos os sentidos (palco, camarins, luzes, comida etc). Como se não bastasse, os caras ainda estão preocupados com isso. É a banda certa no mundo errado.



Escrito por sergio menezes às 23h15
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